A catarata pode causar troca frequente de óculos antes de ser diagnosticada?

Você troca os óculos, percebe uma melhora na visão e acredita que o problema está resolvido. Alguns meses depois, porém, começa novamente a sentir dificuldade para enxergar e parece que o grau mudou outra vez.
A primeira impressão pode ser de que existe algum problema com os óculos ou com a receita.
Mas nem sempre é isso.
Mudanças frequentes no grau podem acontecer durante o desenvolvimento da catarata, especialmente em determinadas formas da doença.
Por isso, quando os óculos parecem “vencer” rápido demais, é importante investigar o que está provocando essa instabilidade.
Por que a catarata pode alterar o grau dos óculos?
Dentro dos nossos olhos existe uma lente natural chamada cristalino.
Em condições normais, ela é transparente e participa do processo de focalização das imagens. A catarata acontece quando o cristalino sofre alterações que levam à perda progressiva de sua transparência.
Mas essas mudanças não interferem apenas na transparência.
Conforme o cristalino se modifica, seu poder refrativo também pode mudar. Isso significa que o grau necessário para proporcionar uma visão mais nítida pode se alterar ao longo do tempo.
Em alguns pacientes, por exemplo, pode ocorrer um aumento da miopia.
Por que os óculos novos melhoram a visão apenas temporariamente?
Nas fases iniciais, atualizar a receita pode proporcionar melhora da visão.
O problema é que o cristalino pode continuar se modificando.
Assim, aquela correção que funcionava bem pode deixar de ser adequada algum tempo depois, levando o paciente a acreditar que precisa simplesmente trocar os óculos novamente.
Quando isso começa a acontecer repetidamente, principalmente em adultos mais velhos, é importante avaliar se existe alguma alteração ocular por trás das mudanças de grau.
Catarata sempre começa com visão embaçada?
Não necessariamente.
A visão progressivamente embaçada é um dos sintomas mais conhecidos da catarata, mas a doença pode provocar outras alterações antes que o paciente perceba um embaçamento importante.
Entre elas estão:
Mudanças frequentes no grau dos óculos;
Maior sensibilidade à luz;
Ofuscamento;
Halos ao redor das luzes;
Dificuldade para dirigir à noite;
Redução da percepção de contraste;
Alteração na percepção das cores;
Necessidade de mais iluminação para determinadas atividades.
Os sintomas dependem também do tipo e da localização da catarata.
Depois dos 50 anos, toda mudança de grau significa catarata?
Não.
O grau pode mudar por diferentes motivos, e a idade isoladamente não permite estabelecer o diagnóstico.
O ponto de atenção é a frequência e o padrão dessas mudanças.
Quando uma pessoa que apresentava uma receita relativamente estável começa a precisar de atualizações repetidas, uma avaliação oftalmológica completa ajuda a entender se a mudança está relacionada ao cristalino ou se existe outra explicação.
Como saber se o problema está nos óculos ou nos olhos?
Apenas trocar as lentes pode melhorar momentaneamente a visão sem esclarecer por que o grau continua mudando.
Durante a consulta oftalmológica, além de conferir a refração, é possível examinar as estruturas dos olhos e avaliar a transparência do cristalino.
Se houver catarata, também é importante determinar quanto ela realmente está interferindo na qualidade visual e na rotina do paciente.
Descobrir catarata significa que é preciso operar imediatamente?
Não.
O diagnóstico de catarata não significa automaticamente indicação imediata de cirurgia.
A decisão considera diversos fatores, incluindo a intensidade das alterações visuais, as necessidades do paciente, a interferência nas atividades cotidianas e os achados do exame oftalmológico.
Em determinados momentos, uma nova prescrição de óculos ainda pode proporcionar uma visão satisfatória. Em outros, chega um ponto em que simplesmente aumentar ou modificar o grau já não oferece a qualidade visual necessária.
Seus óculos parecem “vencer” rápido demais?
Trocar os óculos com frequência não significa necessariamente que exista catarata, mas mudanças repetidas no grau merecem ser investigadas — especialmente quando vêm acompanhadas de dificuldade para dirigir à noite, ofuscamento, halos ou redução da qualidade da visão.
Em vez de apenas atualizar a receita mais uma vez, vale descobrir por que o grau está mudando.
Se você percebe que seus óculos parecem perder a eficiência rapidamente, agende uma consulta oftalmológica para uma avaliação completa.
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Dr. Marcelo Batista
CRM 650 RR | RQE 410 RR




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